PROBLEMA COMUM · SUSPENSÃO
Barulho na suspensão traseira da Ranger NextGen: bucha do eixo
A Ford Ranger NextGen (2023+) apresenta barulho e batida na suspensão traseira causados pelo desgaste precoce da bucha do eixo rígido traseiro. Entenda o sintoma, a causa técnica e os passos para diagnóstico e substituição.

A suspensão traseira da Ford Ranger NextGen com motor 2.0 Bi-Turbo EcoBlue diesel apresenta, em parcela significativa dos exemplares produzidos a partir de 2023, barulho e batida que se manifestam entre 30.000 e 60.000 km. A causa identificada em oficinas especializadas e em relatos de proprietários é o desgaste precoce da bucha de borracha que conecta o eixo rígido traseiro ao chassi. A substituição do kit de buchas resolve o problema na maioria dos casos.
Por que a Ranger NextGen usa eixo rígido traseiro
A Ranger NextGen mantém o eixo rígido traseiro com molas de lâminas, arquitetura presente em picapes de uso misto há décadas. A escolha não é por falta de tecnologia: o eixo rígido entrega maior capacidade de carga, robustez em uso off-road severo e custo de manutenção inferior ao de eixos independentes em condições de trabalho.
O ponto de contato entre o eixo rígido e o chassi é feito por olhais com buchas de borracha prensadas, tecnicamente chamadas de silentblocks. Essas buchas absorvem os impactos e as vibrações que o eixo transmite ao chassi, isolam o ruído de piso e permitem o movimento relativo necessário para a compressão e o rebote da suspensão.
Quando essas buchas se desgastam ou se deformam, o contato entre o metal do eixo e o metal do suporte do chassi gera barulho, transmite vibração e cria folga que compromete o comportamento direcional do veículo.
Como o sintoma se manifesta
O barulho de bucha desgastada na Ranger NextGen tem características específicas que ajudam a diferenciá-lo de outros problemas de suspensão.
A batida é seca e localizada na parte traseira. Surge principalmente ao passar por lombadas, em piso de paralelepípedo ou em trilhas com ondulações. Aparece também em frenagens de média a forte intensidade, quando o eixo recebe o momento de torque de desaceleração.
Em alguns casos, o som é descrito como rangido metálico ao fazer manobras de estacionamento com direção no limite, ou ao sair de aclives com arrancada. Carga na caçamba amplifica o sintoma: quanto mais peso, maior a força sobre as buchas e mais evidente o barulho.
A causa técnica do desgaste precoce
A Ranger NextGen chegou ao Brasil como veículo de uso misto, muito comercializada para produtores rurais, profissionais de construção e proprietários que alternam uso urbano com off-road ou fazenda. Esse perfil de uso é exatamente o mais agressivo para as buchas do eixo traseiro.
O mecanismo de desgaste envolve três fatores combinados:
Uso off-road e com carga: em trilhas e estradas de terra com ondulações, o eixo rígido recebe impactos repetidos em alta velocidade. Cada impacto comprime e retuerce a bucha de borracha. Em uso urbano e de estrada, esse ciclo ocorre em frequência baixa. Em fazendas e trilhas, pode ocorrer centenas de vezes em uma única saída.
Variação de temperatura: o motor 2.0 Bi-Turbo da Ranger NextGen gera calor significativo, e o ambiente sob o veículo em estrada seca atinge temperaturas elevadas. A borracha das buchas traseiras, localizada distante do motor mas exposta ao piso aquecido e ao calor irradiado, envelhece mais rapidamente em climas quentes.
Material e especificação da bucha: relatos de oficinas especializadas em picapes apontam que as buchas originais de fábrica da geração NextGen têm dureza de borracha e especificação de material que, nas condições de uso brasileiro, resultam em vida útil inferior à esperada para um componente de suspensão de picape de trabalho.
Diagnóstico correto: o que esperar na oficina
O diagnóstico de bucha desgastada em eixo rígido é simples quando feito com o veículo elevado e o eixo suspenso. O técnico experiente identifica o problema em menos de 10 minutos de inspeção.
O procedimento correto inclui:
Elevação do veículo com o eixo traseiro suspenso e rodas livres. Teste manual de folga do eixo nas direções vertical (cima e baixo) e longitudinal (frente e trás). Toda folga perceptível além de 1 a 2 mm indica bucha com desgaste ou separação interna.
Inspeção visual das buchas: rachaduras na borracha, deformação lateral da bucha (bucha que saiu do centro do olhal), separação entre a borracha e o inserto metálico interno ou externo são indicadores visuais de substituição necessária.
Verificação dos pontos de fixação do eixo ao chassi: em casos de desgaste avançado, a folga pode ter causado desgaste no próprio olhal do eixo ou no suporte do chassi. O técnico deve inspecionar se há ovalização ou dano no metal.
Custo e tempo de serviço
A substituição do kit de buchas do eixo traseiro da Ranger NextGen é um serviço de complexidade média. O valor estimado varia conforme a região e o tipo de oficina:
| Serviço | Tempo estimado | Custo estimado |
|---|---|---|
| Diagnóstico e inspeção do eixo | 30-60 minutos | R$ 80-150 |
| Substituição do kit de buchas (peças e mão de obra) | 2-4 horas | R$ 600-1.200 |
| Substituição de buchas e amortecedores traseiros | 3-5 horas | R$ 1.400-2.800 |
| Alinhamento e geometria (pós-serviço) | 1 hora | R$ 150-250 |
Valores para referência em junho de 2026. Concessionárias Ford costumam cobrar acima da faixa superior. Oficinas especializadas em suspensão ou em picapes praticam valores na faixa intermediária, com qualidade de serviço equivalente para esse tipo de serviço.
Vida útil e manutenção preventiva
Não existe na agenda de revisões oficial da Ranger NextGen uma inspeção programada específica para as buchas do eixo traseiro. A Ford inclui inspeção visual de suspensão nas revisões de 30.000 e 60.000 km, mas o detalhamento de quais componentes são inspecionados depende do checklist aplicado pela concessionária.
Para proprietários com uso misto ou off-road frequente, a recomendação prática é incluir a inspeção das buchas do eixo traseiro a cada 30.000 km, independentemente de sintoma. O custo da inspeção é baixo, e a detecção precoce evita que a folga da bucha cause dano secundário no olhal do eixo.
Em uso exclusivamente urbano e de estrada, a inspeção a cada 60.000 km é adequada. Em ambos os casos, qualquer surgimento de barulho ou batida traseira deve ser tratado como prioridade de diagnóstico, sem aguardar a próxima revisão programada.
Perguntas frequentes
- Como saber se o barulho na traseira da Ranger NextGen é a bucha do eixo?
- O barulho típico de bucha desgastada aparece como batida seca ou rangido ao passar por imperfeições do piso, ao frear com intensidade ou ao fazer curvas com carga na caçamba. Para confirmar o diagnóstico, o veículo deve ser elevado em elevador automotivo. Com o eixo suspenso, o técnico testa manualmente a folga do eixo em relação ao chassi. Qualquer movimento além de 1 a 2 mm indica bucha comprometida. A inspeção visual confirma: bucha com rachaduras, deformação lateral ou separação do metal externo é peça fora de vida útil.
- Com quantos quilômetros a bucha do eixo traseiro da Ranger NextGen costuma falhar?
- Relatos de proprietários e oficinas especializadas em picapes indicam falhas entre 30.000 e 60.000 km em veículos usados com frequência off-road ou com carga máxima na caçamba. Em uso exclusivamente urbano e de estrada, a bucha pode durar 80.000 km ou mais. O uso intenso em trilhas, fazendas ou com reboque acelera significativamente o desgaste, porque as buchas absorvem os picos de força que o eixo rígido transmite ao chassi nessas condições.
- A Ford cobre a substituição da bucha do eixo traseiro da Ranger pela garantia?
- Depende do histórico de uso documentado e da quilometragem. Dentro da garantia de 3 anos ou 100.000 km, a Ford pode cobrir a substituição se ficar caracterizado defeito de material ou fabricação. Veículos com uso off-road intenso comprovado (modificações, pneus off-road, registros de trilha) frequentemente têm a cobertura negada para peças de desgaste como buchas. O caminho correto é abrir um pedido formal na concessionária com registro escrito da recusa, caso a garantia seja negada, e acionar o SAC Ford se necessário.
- Posso substituir a bucha do eixo traseiro da Ranger em qualquer oficina?
- Sim. A substituição da bucha do eixo rígido traseiro não exige ferramentas exclusivas Ford. Oficinas especializadas em suspensão ou em picapes com prensa hidráulica conseguem realizar o serviço. A extração da bucha antiga e a prensagem da bucha nova exigem prensa e os adaptadores corretos para o diâmetro do olhal do eixo da Ranger NextGen. Oficinas sem prensa que tentarem retirar a bucha na força podem danificar o olhal do eixo, tornando a peça inutilizável. Confirme que a oficina tem experiência com eixo rígido de picapes antes de autorizar o serviço.
- Qual a diferença entre bucha, silentblock e coxim de suspensão?
- Na prática do mercado brasileiro, os três termos descrevem elementos de borracha ou borracha com metal que isolam vibrações e permitem movimento relativo entre peças. Bucha é o termo genérico para o cilindro de borracha prensado em um olhal metálico. Silentblock é uma marca registrada que virou sinônimo popular de bucha composta (metal externo, borracha vulcanizada e metal interno). Coxim é usado mais frequentemente para buchas de motor e câmbio. No eixo traseiro rígido da Ranger NextGen, o componente correto se chama bucha do eixo ou silentblock do eixo, e ambos os termos são aceitos por fornecedores e distribuidores de peças.
- Substituir só a bucha resolve o barulho ou é necessário trocar o amortecedor traseiro também?
- Em muitos casos, a substituição das buchas resolve completamente o barulho. No entanto, é recomendável inspecionar o amortecedor traseiro na mesma ocasião. Um amortecedor com vazamento de óleo ou com a câmara interna desgastada pode contribuir para o barulho e para o comportamento de batida traseira. Se o amortecedor apresentar qualquer sinal de vazamento, ressecamento da espuma protetora ou curso irregular ao comprimir manualmente, a troca preventiva no mesmo serviço economiza mão de obra futura.
Este conteúdo é informativo e diagnóstico. Barulhos e folgas na suspensão traseira comprometem a segurança e a dirigibilidade. Leve o veículo a uma oficina especializada para diagnóstico presencial antes de qualquer intervenção.
REFERÊNCIAS