DEFEITO CRÔNICO
BYD Song Plus DM-i: consumo de combustível acima do
Entenda por que o BYD Song Plus DM-i bebe mais gasolina do que o anunciado e como corrigir o problema sem gastar com mecânico. (157 chars)

O BYD Song Plus DM-i chegou ao Brasil com uma promessa clara: consumo de combustível praticamente irrisório para quem usa o carro no dia a dia.
A propaganda não mente. Mas há uma condição que muita gente só descobre depois de assinar o contrato.
O que é o sistema DM-i e por que ele importa
DM-i é a sigla para Dual Mode Intelligent, a tecnologia de eletrificação da BYD focada em eficiência no consumo urbano.
Diferente de um híbrido convencional (que usa o motor elétrico apenas como suporte), o Song Plus DM-i foi projetado para rodar a maior parte do tempo em modo totalmente elétrico.
O motor 1.5L Atkinson de gasolina tem uma função específica nesse conjunto: gerar eletricidade para a bateria quando necessário. Ele não foi feito para ser o motor principal de tração no dia a dia.
Essa distinção é tudo.
O sintoma: consumo acima do esperado
O relato é consistente entre os donos que chegam ao mecânico:
O carro estava marcando 6, 7 km/l na cidade. Às vezes menos. A concessionária tinha prometido algo em torno de 15 a 20 km/l no uso combinado.
O consumo elevado aparece acompanhado de outros sinais:
- Motor a gasolina ruidoso durante percursos que deveriam ser elétricos
- Bateria que chega a 0% ainda no meio do trajeto diário
- AC que parece “drenar” a bateria muito rápido em dias quentes
- Custo de abastecimento mensal que não diminuiu em comparação com o carro anterior
A causa real: o DM-i sem carregamento é só um HEV comum
A BYD Song Plus DM-i tem uma bateria de 8,32 kWh. Com ela cheia, o carro roda aproximadamente 80 km só no elétrico.
Quando a bateria está descarregada, o sistema entra no que a BYD chama de modo HEV puro.
No modo HEV puro, o motor 1.5L Atkinson precisa fazer duas coisas ao mesmo tempo: manter a tração do veículo E recarregar a bateria. O resultado é um consumo que sobe para a faixa de 6 a 7 km/l na cidade, e pode cair ainda mais em tráfego muito congestionado.
Em outras palavras: quem usa o Song Plus sem carregamento diário está pagando o preço de um carro premium para ter a eficiência de um carro a gasolina simples.
Por que tantos donos caem nessa armadilha
A comunicação de vendas do segmento PHEV (plug-in hybrid) no Brasil historicamente subestima a necessidade do carregamento externo.
Os dados de consumo exibidos nos folhetos e nas comparações de custo por quilômetro partem sempre de um cenário com bateria cheia e percursos dentro da autonomia elétrica.
Ninguém explica isso de forma direta no showroom.
O comprador vê “até 1.246 km de autonomia” (dado que combina autonomia elétrica e a gasolina) e entende que pode rodar muito sem abastecer muito. Mas esse dado assume que o tanque de gasolina também está cheio E que a bateria está carregada.
O impacto do ar-condicionado
Esse é um fator que surpreende até donos que já sabem da importância do carregamento.
O compressor do ar-condicionado do Song Plus DM-i é elétrico. Ele consome energia diretamente da bateria de tração, não do motor a gasolina.
Em uma tarde de 35°C, com o AC no máximo e tráfego urbano parado, o sistema de climatização pode consumir entre 1,5 e 2 kW de potência de forma contínua.
Com uma bateria de 8,32 kWh disponíveis para uso real, isso significa que o AC sozinho pode consumir entre 20% e 25% da capacidade total em menos de uma hora.
A BYD disponibiliza no aplicativo BYD Link uma função de pré-climatização. Com ela, é possível ligar o AC enquanto o carro ainda está conectado ao carregador, sem consumir a bateria de tração.
Usar essa função em dias quentes antes de sair é uma das práticas mais eficientes para preservar a autonomia elétrica.
O papel das viagens longas
Outro cenário frequente nos relatos de consumo elevado são as viagens rodoviárias.
Em rodovias entre cidades, dificilmente há pontos de recarga rápida disponíveis ao longo do caminho, especialmente fora das capitais.
O Song Plus DM-i percorre os primeiros 80 km em modo elétrico. Depois disso, o 1.5L Atkinson assume e tenta recarregar a bateria ao mesmo tempo em que mantém velocidade de cruzeiro.
Em velocidade constante acima de 100 km/h, o motor Atkinson opera com razoável eficiência. O consumo fica em torno de 10 a 13 km/l em rodovia, dependendo do vento e do relevo.
Mas em trechos de serra, com subidas longas e uso intenso de potência, o consumo pode cair para 7 a 9 km/l, bem abaixo do que o dono esperava ao escolher o carro.
Como diagnosticar se o problema é mesmo o hábito de uso
Antes de ir à concessionária, faça esse diagnóstico simples:
1. Acesse o histórico de uso no BYD Link
O aplicativo exibe a proporção entre quilômetros rodados em modo EV e em modo HEV nos últimos 30 dias.
Se o indicador EV% estiver abaixo de 50%, o carregamento insuficiente é a causa do consumo elevado.
2. Observe o estado da bateria ao chegar ao destino diário
Se você percorre 30 km por dia e chega ao trabalho com a bateria abaixo de 20%, seu trajeto está dentro da autonomia elétrica, mas o AC ou o estilo de condução estão acelerando o consumo.
3. Faça o teste do trajeto sem AC
Percorra seu trajeto habitual por dois dias consecutivos: um com AC ligado no máximo e outro com as janelas abertas. Compare o consumo de bateria exibido no painel ao final.
Uma diferença superior a 20% indica que o sistema de climatização está com impacto acima do normal, o que pode indicar necessidade de verificação do compressor elétrico ou da carga de gás.
4. Verifique o State of Health da bateria
No aplicativo BYD Link, acesse o menu de saúde da bateria. Um SoH (State of Health) abaixo de 85% já compromete a autonomia elétrica e aumenta a dependência do motor a gasolina.
O que a BYD diz sobre o uso correto
Nos materiais técnicos e no manual do proprietário da versão brasileira, a BYD é explícita:
O Song Plus DM-i foi projetado para usuários que têm acesso a ponto de recarga elétrica no dia a dia.
A recomendação oficial é que o veículo seja carregado pelo menos uma vez por dia, preferencialmente durante a noite, quando as tarifas de energia elétrica são mais baixas (tarifa branca).
O carregador padrão que acompanha o veículo (Tipo 2 portátil, 3,7 kW) é suficiente para uma carga noturna completa em aproximadamente 2 horas e 30 minutos.
Para quem quer maior praticidade e cargas mais rápidas, a instalação de um Wallbox de 7,4 kW reduz o tempo para cerca de 1 hora e 15 minutos.
Quanto custa rodar no elétrico vs. na gasolina
Os números mudam bastante dependendo de onde você mora, mas o cálculo base em 2025-2026 em São Paulo é o seguinte:
Modo elétrico (com Wallbox em casa, tarifa noturna branca):
- Custo médio do kWh noturno: R$ 0,55 a R$ 0,65
- Consumo do DM-i: aproximadamente 11 kWh/100 km
- Custo por km elétrico: R$ 0,06 a R$ 0,07
Modo gasolina (HEV puro, bateria descarregada):
- Gasolina comum em SP (junho 2026): aproximadamente R$ 6,30/l
- Consumo HEV puro na cidade: 6 a 7 km/l
- Custo por km gasolina: R$ 0,90 a R$ 1,05
A diferença é de mais de 10 vezes no custo por quilômetro.
O que fazer se você não tem garagem
Esse é um dos maiores obstáculos para aproveitar o DM-i no Brasil.
Quem mora em apartamento sem garagem coberta com tomada disponível, ou em casa sem espaço para instalar um Wallbox, precisa buscar alternativas.
Algumas opções práticas em 2025-2026:
Carregadores públicos de CA: crescendo nas capitais. Use o app PlugShare ou o Zap-map Brasil para localizar pontos próximos ao trabalho ou a rotas frequentes.
Carregadores rápidos de CC (DC Fast Charging): o Song Plus DM-i suporta recarga rápida de até 60 kW (depende da versão). Em 20 a 25 minutos, é possível ir de 10% a 80% em um carregador DC.
Parceria com o condomínio: a Lei 4.591/64 não proíbe a instalação de carregadores em vagas privativas de garagem. Com laudo elétrico e aprovação da assembleia (em muitos casos nem isso é necessário para vaga privativa), a instalação é viável.
Quando o problema pode ser mecânico de fato
Em raras situações, o consumo elevado tem uma causa além do hábito de uso.
Fique atento a estes sinais que indicam problema real no sistema:
- Motor a gasolina que não desliga mesmo com bateria cheia e velocidade baixa
- Bateria que não aceita carga acima de 60 ou 70% mesmo conectada por horas
- Mensagem de erro no painel relacionada ao sistema de propulsão ou à bateria de alta tensão
- Queda brusca de SoH em poucos meses (mais de 10% em menos de 12 meses)
- Ruído metálico incomum no compartimento do motor durante a recarga
Resumo do diagnóstico
O BYD Song Plus DM-i não tem um defeito mecânico crônico de consumo. O que existe é uma incompatibilidade entre a expectativa criada pelo marketing e o comportamento real do veículo para quem não carrega a bateria regularmente.
O sistema DM-i entrega exatamente o que promete. Mas ele só promete economia para quem usa o carro como plug-in híbrido de verdade.
Sem carregamento diário, o Song Plus DM-i vira um HEV caro com consumo de um carro popular a gasolina.
O diagnóstico técnico, portanto, começa com uma pergunta simples: você está carregando o carro todos os dias?
Se a resposta for não, a solução não está na concessionária. Está na garagem.
Conteúdo produzido pela Equipe Técnica Hachiroku com base no manual do proprietário BYD Song Plus DM-i (versão brasileira, 2023-2026), dados de etiquetagem INMETRO e relatos documentados de proprietários em fóruns especializados. Atualizado em junho de 2026.
Perguntas frequentes
- Por que o BYD Song Plus DM-i consome mais gasolina do que o esperado?
- Porque o DM-i foi projetado para funcionar predominantemente como veículo elétrico. Quando a bateria de 8,32 kWh está descarregada, o motor 1.5L Atkinson precisa propulsionar o carro E recarregar a bateria ao mesmo tempo, elevando o consumo para a faixa de 6 a 7 km/l na cidade.
- Qual o consumo real do Song Plus DM-i com a bateria carregada?
- Com a bateria cheia, o Song Plus DM-i roda em modo elétrico por até aproximadamente 80 km sem acionar o motor a gasolina. Nesse cenário, o consumo de combustível cai próximo de zero para trajetos curtos e o custo por quilômetro é muito inferior ao de um carro convencional.
- O ar-condicionado realmente impacta tanto no consumo do DM-i?
- Sim. O compressor do ar-condicionado do Song Plus DM-i é elétrico e consome energia diretamente da bateria de tração. Em dias quentes, com o AC no máximo, a autonomia elétrica pode cair entre 20% e 35%, fazendo o motor a gasolina entrar em operação muito mais cedo.
- Posso usar o Song Plus DM-i sem carregador em casa?
- Tecnicamente sim, mas você perde a principal vantagem do sistema DM-i. Sem carregamento externo diário, o veículo opera como um HEV convencional com bateria pequena, e o custo por quilômetro se aproxima de um híbrido simples, sem o benefício do custo de energia elétrica.
- Qual carregador instalar em casa para o Song Plus DM-i?
- A BYD recomenda o carregador Wallbox de 7,4 kW (Tipo 2, monofásico 32A) para uso doméstico. Com ele, a bateria de 8,32 kWh é carregada em cerca de 1 hora e 15 minutos a partir do zero. Um carregador doméstico de 3,7 kW (tomada Tipo 2 de 16A) também funciona, mas leva aproximadamente 2 horas e 30 minutos.
Este artigo tem finalidade informativa e educativa. Diagnósticos definitivos e reparos devem ser realizados por profissionais habilitados. O Hachiroku não se responsabiliza por decisões tomadas com base exclusiva neste conteúdo.
REFERÊNCIAS