GUIA DE COMPRA

Ram Rampage usado vale a pena? Guia 2025

Vale em exemplares com até 40 mil km. Verifique CVT (troca de fluido), motor T270 biturbo (historico de revisão) e estado do chassi (picape usada para trabalho). Garantia Ram cobre 3 anos.

Ram Rampage

A Ram Rampage chegou ao Brasil em 2023 para criar uma categoria nova: a picape compacta com cara de aventura, motor biturbo e câmbio CVT em vez de diesel e câmbio convencional. O resultado é um veículo que mistura praticidade de picape com consumo e comportamento próximo ao de um SUV urbano.

No mercado de usados, exemplares 2023 e 2024 começam a aparecer em lotes de frotas, empresas e donos que migraram para a geração mais nova de picapes. A faixa de preço atrai quem quer picape sem pagar o valor de uma Hilux ou Ranger nova.

Mas o câmbio CVT e o motor biturbo criam pontos de atenção especificos que não aparecem em picapes diesel tradicionais. Este guia cobre exatamente o que você precisa verificar antes de fechar negócio.


O que é o motor T270 biturbo

O 1.3 T270 é o mesmo bloco usado no Jeep Renegade e na Fiat Toro em versões mais potentes. É um motor de quatro cilindros com dois turbos em configuração bi-turbo, o que entrega 185 cv e 270 Nm de torque.

A palavra “biturbo” não significa necessariamente complexidade problemática. Significa que há dois turbocompressores trabalhando em sequência para ampliar a faixa de torque disponivel. Na prática, o motor responde melhor em baixas rotações do que turbos únicos de tamanho equivalente.

O ponto de atenção é o sistema de lubrificação dos dois turbos. Turbo trabalha com temperaturas extremamente altas e depende do fluxo de óleo para refrigeração e lubrificação dos rolamentos internos. Motor que rodou com óleo fora do prazo, ou com especificação errada, concentra desgaste justamente nos turbos, que são as peças mais caras do conjunto.

Por isso o histórico de revisão documentado não é opcional em uma Rampage usada. É o principal indicador de risco.


CVT: o câmbio que exige atenção especifica

O câmbio CVT (Continuously Variable Transmission) funciona por uma correia metálica que desliza entre dois cones de diâmetro variável. Não há marchas fixas. A transmissão ajusta a relação de forma contínua para manter o motor na faixa de maior eficiência.

O resultado prático é consumo menor em cidade e sensação de aceleração suave, sem trancos entre marchas. A desvantagem percebida é a falta de resposta imediata quando o motorista pede aceleração brusca: o motor sobe de rotação antes da velocidade acompanhar, o que alguns motoristas chamam de “borracha”.

Para o mercado de usados, o ponto critico é o fluido do CVT. Diferente de um câmbio automático convencional, o CVT opera com um fluido de especificação muito especifica que lubrifica e resfria a correia metálica. Fluido fora do prazo degrada a correia, reduz a eficiência de transmissão de força e, em casos avançados, causa derrapagem interna que destrói o câmbio.

A troca do fluido CVT é um serviço que não aparece nas revisões tradicionais de muitos mecânicos que não conhecem o veículo. Confirme com o vendedor se a troca foi feita e exija a nota fiscal do serviço.


Como testar o CVT no test drive

O test drive é a ferramenta mais eficaz para avaliar o estado do câmbio CVT. Siga esta sequencia:

Aceleração urbana suave: saia do zero e vá até 60 km/h acelerando levemente. O CVT deve responder de forma linear, sem solavancos ou hesitações. A sensação deve ser de aceleração continua.

Aceleração moderada em rodovia: peça mais aceleração em velocidade constante de 60 km/h. Observe se o motor sobe de rotação de forma proporcional ao aumento de velocidade. Se o motor acelera mas a velocidade não acompanha, há derrapagem interna no CVT.

Frenagem e retomada: ao frear de 80 km/h até parar e retomar a aceleração, o câmbio deve responder sem trancos ou demora excessiva.

Escuta em marcha lenta: com o motor ligado e parado, coloque em D e segure o freio. Escute se há chiado, rangido ou vibração vinda da transmissão. Qualquer ruido anormal indica desgaste interno.


Chassi de picape: o que inspecionar

A Rampage usa construção do tipo “body-on-frame” com chassi separado da carroceria, o mesmo principio das picapes tradicionais. Esse tipo de construção é mais robusto para carga e impactos, mas um chassi danificado e mal reparado compromete toda a geometria do veículo.

Com o veículo parado e em área iluminada, olhe por baixo do chassi. Os sinais de alerta são:

Exemplares de frotas de construção civil ou transporte leve podem ter levado cargas acima da capacidade. O chassi não mostra isso visualmente, mas a suspensão e os pneus revelam: desgaste irregular, bandeamento e folga em articulações são sinais de sobrecarga cronica.

Uma vistoria cautelar com laudo emitido resolve a duvida sobre acidente e sinistro. O custo é de R$ 200 a R$ 350 e pode evitar um prejuizo muito maior.


Garantia Ram: como verificar se ainda está ativa

A Ram oferece garantia de fábrica de 3 anos ou 100 mil km para a Rampage. Para exemplares 2023 com menos de 40 mil km, a garantia pode ainda estar vigente em 2025 e 2026, dependendo da data de emplacamento.

A garantia cobre defeitos de fabricação no motor, câmbio e componentes eletrônicos. Isso significa que problemas no CVT ou nos turbos dentro do periodo coberto são resolvidos sem custo pelo comprador.

Para confirmar se a garantia ainda está ativa, acesse uma concessionária Ram com o número do chassi do veículo. A consulta é gratuita e dura poucos minutos. É um passo que pode mudar completamente o valor do negócio.

Observe que a garantia Ram não cobre desgaste por falta de manutenção. Se o fluido do CVT nunca foi trocado e o câmbio apresentar problema, a garantia pode ser negada com base em negligência de manutenção.


Qual kilometragem é segura para comprar

A Rampage 1.3 T270 CVT com até 40 mil km representa o menor risco no mercado de usados. Nessa faixa:

Exemplares acima de 60 mil km exigem inspeção mais cuidadosa. Nessa faixa, o histórico de manutenção é determinante. Com revisões documentadas e fluido do CVT trocado, o risco ainda é administrável. Sem documentação, o custo potencial de reparos deve ser descontado do preço de compra.

Acima de 80 mil km, avalie apenas se o preço refletir o risco. Nessa kilometragem, a Rampage pode estar fora da garantia e o custo de um CVT novo ou de turbos recondicionados pode superar o benefício do desconto no preço.


Por que a Rampage mantém valor de revenda

A Rampage entrou em um segmento praticamente sem concorrentes diretos no Brasil. A Toro é a alternativa mais próxima, mas tem perfil ligeiramente diferente e menor capacidade de carga. Isso mantém a demanda alta no mercado de usados.

O design com apelo visual forte e os equipamentos modernos, como tela multimídia grande, câmera de ré e assistentes de condução, também ajudam a manter o interesse de compradores que querem picape com conteúdo de SUV premium.

Essa combinação mantém o valor de revenda acima da média para a categoria de picapes nacionais, o que é relevante tanto para quem compra quanto para quem futuramente vai vender.


Vale a pena comprar uma Ram Rampage 1.3 T270 usada?

Sim, desde que os pontos certos sejam verificados. A Rampage é um veículo moderno, bem equipado e com proposta de valor clara para quem quer picape compacta com tecnologia.

O CVT e o motor biturbo criam dois pontos de atenção especificos que não existem em picapes diesel tradicionais. Ambos são administráveis com a inspeção correta e o histórico de manutenção em mãos.

A combinação mais segura é: exemplar com até 40 mil km, revisões documentadas com óleo sintético correto, fluido do CVT trocado dentro do prazo e garantia Ram ainda ativa.

Uma tarde de inspeção com scanner OBD2 e test drive estruturado é suficiente para identificar os principais riscos. O que não pode ser avaliado a distância, a vistoria cautelar resolve com laudo técnico.

Com esses cuidados, a Rampage usada entrega boa relação entre preço de entrada e tecnologia disponivel na categoria.

Checklist: o que verificar antes de fechar negócio

  • Verificar histórico de troca do fluido CVT O câmbio CVT da Rampage exige troca do fluido em intervalos definidos pela Ram. Sem comprovante, orce a troca antes de fechar. Fluido degradado causa solavancos, derrapagem de correia e, nos casos mais graves, falha total do câmbio.
  • Testar o CVT em diferentes regimes No test drive, acelere suavemente do zero até 80 km/h e observe se a transmissão responde de forma linear e sem solavancos. Em seguida, peça mais aceleração em estrada. Hesitação, escorregamento de correia ou barulho de chiado indicam problema no CVT.
  • Verificar histórico de revisão do motor T270 biturbo O 1.3 T270 biturbo exige revisão com óleo sintético de especificação correta. Peça o manual com carimbos e coteje as datas com o hodômetro. Motor sem revisão documentada é sinal de uso negligente, o que aumenta o risco de desgaste prematuro do turbo.
  • Inspecionar o estado dos turbos Com o motor frio, retire a mangueira do intercooler e verifique se há óleo acumulado na entrada. Fumaça azulada na aceleração indica retentor de turbo comprometido. O T270 tem dois turbos, o que dobra o ponto de atenção.
  • Conferir estado do chassi e longarinas A Rampage é picape com uso urbano e trabalho leve, mas exemplares de frotas ou uso rural podem ter sofrido impacto no chassi. Por baixo do veículo, verifique solda improvisada, ferrugem ativa nas longarinas e amassados que não combinam com o histórico relatado.
  • Escanear a central com OBD2 antes do test drive Conecte um scanner OBD2 antes de ligar o motor. Procure falhas no motor (P), transmissão (T) e sistemas de segurança (C). Falhas travadas revelam problemas que o vendedor omitiu. É o primeiro passo obrigatório em qualquer inspeção.
  • Verificar funcionamento do modo AWD (versões com tração total) Em versões equipadas com tração nas quatro rodas, teste o acionamento do AWD. A transição entre 2WD e AWD deve ser suave e sem barulho. Falha no acoplamento traseiro é cara para reparar.
  • Inspecionar o sistema de refrigeração Motor biturbo com intercooler gera mais calor do que motores aspirados. Verifique o nível e a condição do liquido de arrefecimento com o motor frio. Liquido escuro, com borra ou com cheiro de queimado indica problema na vedação do motor.
  • Avaliar condição interior e hodômetro Desgaste excessivo nos bancos, volante e pedais acima do esperado para o ano indica uso comercial intenso ou hodômetro adulterado. Coteje o desgaste visual com o quilômetro declarado e o histórico no DETRAN.
  • Testar ar-condicionado e sistema elétrico completo Ligue o ar e aguarde cinco minutos para verificar se esfria corretamente. Teste todas as janelas elétricas, travas, câmera de ré e central multimídia. Componentes elétricos com defeito em picapes são caros para substituir fora da garantia.
  • Verificar o estado dos pneus e geometria Desgaste irregular nos pneus dianteiros indica problema de alinhamento ou geometria, que pode ser sintoma de batida anterior não declarada. Pneu desgastado só no centro indica pressão alta cronica; só nas bordas, pressão baixa ou suspensão com problema.
  • Conferir se a garantia Ram ainda está ativa A Ram oferece garantia de 3 anos ou 100 mil km para a Rampage. Exemplares 2023-2024 com menos de 40 mil km podem ainda estar cobertos. Confirme com a concessionária informando o numero do chassi antes de fechar negócio.

Perguntas frequentes

A Ram Rampage 1.3 T270 usada é confiável?
Sim, em linhas gerais. O motor 1.3 T270 biturbo tem construção robusta para a categoria, mas depende de revisões com óleo sintético e especificação correta. Exemplares com histórico de revisão documentado e menos de 40 mil km são os mais seguros para comprar.
O CVT da Rampage dura quanto tempo?
Com manutenção em dia, o CVT da Rampage tem vida longa. O ponto crítico é a troca do fluido dentro do intervalo definido pela Ram. Sem troca no prazo, a correia do CVT sofre desgaste acelerado e o câmbio perde eficiência. Sempre exija o comprovante de troca do fluido.
Ram Rampage 2023 ainda tem garantia de fábrica?
Depende do quilômetro e da data de emplacamento. A Ram oferece garantia de 3 anos ou 100 mil km. Um exemplar 2023 emplacado no inicio daquele ano pode ainda estar dentro do prazo em 2025 e 2026, dependendo da quilometragem. Consulte a concessionária com o número do chassi para confirmar.
Qual a principal diferença entre Rampage e Fiat Toro no mercado de usados?
A Rampage usa câmbio CVT, enquanto a Toro oferece câmbio automático convencional de nove marchas no motor 1.3 turbo. O CVT tem eficiência maior no consumo urbano, mas exige atenção especifica à troca do fluido. A Toro tem mais tempo de mercado e histórico mais amplo de casos reais documentados.
Quanto custa manter uma Rampage 1.3 T270 usada?
O custo de manutenção está na faixa de médio para a categoria de picapes urbanas. O motor biturbo exige óleo sintético de qualidade, o que eleva o custo da revisão em relação a motores aspirados. O CVT precisa de fluido especifico da Ram ou equivalente certificado. Revisão completa em concessionária autorizada gira em torno de R$ 900 a R$ 1.500 dependendo do intervalo.
Vale a pena comprar Rampage para uso pesado?
A Rampage é uma picape de uso misto, mais adequada para trabalho leve e uso urbano do que para cargas pesadas constantes. Para uso intenso em fazenda, reboque frequente acima de uma tonelada ou trilha off-road severa, picapes com motor diesel e tração 4x4 real, como Hilux ou Ranger, são mais indicadas. A Rampage se destaca no equilíbrio entre praticidade de picape e conforto de SUV urbano.

Este guia orienta a inspeção, mas não substitui uma vistoria cautelar e uma avaliação mecânica presencial antes da compra.